Ai, Galeano!

 


As palavras sempre foram minha paixão, pois através delas poderia expressar minha profundidade. Pena que não colocava muito em prática essa paixão por achar que não era bem nisso.

Com o passar do tempo, vamos nos deparando com alguns livros e nos apaixonando por alguns escritores que vão nos dando coragem. Foi nessa que conheci, ainda na faculdade, Eduardo Galeano. Amor à primeira vista! Ao assistir um vídeo dele declamando um poema chamado “Direito ao delírio”, me encantei. Ali encontrava a coragem em seus escritos para expor os meus.

“Que acham de delirarmos um pouquinho?” Pennn!! Aquela indagação que ele fazia, no início do poema, me fez pensar que o delírio poderia fazer parte de mim para que pudesse ter a valentia de expressar o que sinto.

Ai, Galeano! Que vontade tinha de te conhecer pessoalmente e trocar uma prosa em qualquer esquina do Uruguai. Esse desejo não foi realizado, mas pude delirar nas suas diversas obras, e uma trago na alma: “O livro dos abraços”. Pequeno que só ele, contudo gigante para trazer tantas verdades, utopias, delírios e sonhos.

Talvez nunca venha a saber, no entanto suas obras abriram meu coração sedentos pelas palavras escondidas em mim. Por fim, concluo trazendo o texto que fecha esse livro:

“Assovia o vento dentro de mim. Estou despido. Dono de nada, dono de ninguém, nem mesmo dono de minhas certezas, sou minha cara contra o vento, a contravento, e sou o vento que bate em minha cara”.

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