Tempo, tempo, tempo.
Alarme toca! Em pé, corre para escovar os dentes, ajeita café, vê se a cria está bem, arruma a marmita, toma banho, organiza a bolsa e segue para labuta. Ainda resta longas horas para o restante das atividades, mas parece que ainda falta tempo. “Tempo, tempo, tempo, tempo. Nas rimas do meu estilo”. Até tento ser nas rimas do meu estilo, mas me falta tempo. Adepta ao “tudo milimetricamente calculado e no lugar”, eu sigo me surpreendendo comigo. “Não é possível que eu queira controlar o tempo!”, exclamei certo dia.
O tempo! Quase um oráculo
escondido a sete chaves. Ou, algo tão abstrato que não temos domínio ou
controle. Parece que o tempo machuca. Lembro quando criança que o tempo durava
mais. A impressão que eu tinha era ter brincado umas dez horas no dia. O tempo
não muda. Nós mudamos nessa desenfreada corrida para dar tempo.
Outro dia percebi que não queria
colocar mais comida no prato porque seria mais tempo perdido. Onde cheguei? Ah,
quem me dera poder viver o tempo. Ele é preciso e discreto. Não requer correria
e nem vem atrelado a ansiedade. Ele continua o mesmo. Eu que mudei. Nós
mudamos!
Oh, senhor do destino! És um
senhor tão bonito, tempo. Que meus dias sejam atrelados aos teus e que eu possa
respirar profundamente sem precisar ser ofegante. Vem ao meu encontro, e toca
meu ser sedento de silêncio e passos lentos. “Peço-te o prazer legítimo. E o movimento preciso.”



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