O fracasso
Se você não interromper os fluxos,
normalmente vivenciados pela sociedade, você tem que enfrentar uma correnteza.
Se você não organizar os brinquedos jogados pela casa inteira, provavelmente
você vai dormir com sua casa bagunçada. Se você não desligar a TV para que sua
filha não passe a noite inteira vidrada nela, ela vai entrar a madrugada fixada
nela. Se você não chamar atenção da sua criança quando estiver fazendo algo
errado, com certeza ela vai achar que está tudo bem e continuar fazendo. Se
você não fizer a lista do mercado, há um certo risco de faltar um bocado de
produtos na feira. Ah, se você isso ou aqui... muito provável que muitos dedos
estarão apontados para você quando acordar no dia seguinte. “Você não foi capaz!”
É assim que somos acolhidas pela sociedade.
Sinto-me fracassada!
A minha volta uma mulher cansada,
permissiva, fraca e agonizante. Parece que a corrida para dar conta de tudo se
embala numa dança contemporânea com um corpo adoecido. Que loucura dançar dessa
forma. É aí que é há um minuto de sanidade: preciso cuidar de mim. O
acolhimento seria a melhor maneira de viver os perrengues da maternidade.
Porém, me vejo como a própria denunciante do meu próprio “crime”.



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